domingo, 2 de junho de 2013

(nome do blog)

[Essa não é uma reflexão alegre sobre a amizade. Talvez nem seja uma reflexão, ou seja sobre a amizade. É sobre conviver!]

Vi na cultura uma cineasta dizer sobre um filme, que nunca terminei de assistir, cujo o titulo era " Mil Anos de Orações" e que ele fazia alusão a um ditado chinês o qual eu não lembro. Mas ele me marcou. O guardei sendo parecido com isso: " É preciso anos de orações para se viver em paz. É preciso mil anos de orações para se conviver em paz!".
Conviver é difícil, resumindo. "Viver com" dá uma ideia de necessidade, intimidade, fidelidade; três pontos delicadíssimos dentro do ser humano.
Há a necessidade impar do amor, e sua irracionalidade aplaudível - adoro irracionalidades e tudo que jorra do peito; adoro o fato de não podermos controlar e entender tudo. Mas essa necessidade não é a única. Temos a necessidade, afetivamente falando, do amigo. Do ser amigo. Aquele que amamos sem estarmos apaixonados. É um tipo de necessidade tão sentimental e humana, que é quase racional, de fato. Mas é a necessidade que me cabe. Nasci para ser amigo, e isso é uma das poucas coisas em que aceito ser desprezível e mesmo assim continuo tentando!
Ouçam The Smiths, não me deem ouvidos! Minhas dores pulsantes vem constante e exclusivamente da necessidade intrínseca que tenho com meus amigos. "Heaven knows I'm miserable now...".
Costumo me arrepender de viver buscando isso: Intimidade. Essa é a desgraça do ser humano. Esse ponto puxa os outros. Só se cobra fidelidade quando há intimidade de se cobrar! Só há necessidade do outro quando há intimidade entre os dois! Intimidade é ser-se si perante o outro. Isso é intimidade pura, cândida. Saber do outro o quanto ele pode mostrar de si, sem pedir ou cobrar, mas saber por estar ali por ele, com ele, para ele. Amigos que vivem juntos são assim, independentemente de tudo, são assim. E essa é uma das grandes amizades que se constrói. Não as deixe escapar!
Estamos todos boiando - isso é influência de "Teo e a Gaivota" do Marcelo Camelo! Estamos todos nessa imensidão, perdidos em nós mesmos. Acho que a cena de "Blue Like Jazz", onde a mocinha agarra o cabo de oxigênio do mocinho, que perambulava pelo espaço, só e si, e o "resgata". "Resgatar", "ressuscitar", "reviver", "redescobrir" e etc. já devem ter sido usados como metáforas pra quando alguém se apaixona. Isso é muito forte. É quase que "dever" algo a alguém. Não sei explicar muito bem, mas é daí que surge a fidelidade. A fidelidade é o grande problema de tudo isso. Fora ela que me colocou a escrever aqui.
Pois bem, citar-me-ei. Poema meu datado de 22 de Abril de 2013. Chama-se "O fracasso poético e a idealização são minha angustia!" - nome horrível. Estava com raiva. E estava escrevendo a ti, vez mais - alias deveria escrever sobre isso: sua constância dentro da minha poética deve significar algo.Pois bem, citar-me-ei, enfim :
De uma vez por todas, entendam:Há uma sombra que paira sobre mim.Sombra esse apoético e nulaque quando se deitaanula meus influxose minhas ideias!

Ela toma formas diversasde meus ídolosde meus amigosde meus amoresMaspor sobre tudo issoestá um outro eu!que realmente não deve existir

Há, entãoaquele choro guardadoressentidomedonhoque não escorree que quer gritar.

Eu não sou feito de brumas clarasde poesias e amorSou feito dessa sombredesse medode um real inexistente

E lutoem toda angustia por fazer-la espalharenfraquecerpor que machucomeus ídolosmeus amigosmeus amores

e a mim, como machuco a mim...

Dessa vez, entendam:gritembatamexplodam de ódioMas digamolhemestejam presente- façam o que sua boca sempre prometeramfaçam o que sempre cobraram de mim-já dissee direi vez mais:a terapêutica da indiferença é supervalorizada.Mas deve ser inexistente em respeitos aos dias que compartilhamos!Sem mais!

Estudemo-lo! Primeira estrofe fácil. Quando estou confuso, perdido ( "Há uma sombra que paira sobre mim ") eu não consigo criar coisas decentes. Segunda estrofe diz que minha sombra é um outro eu. Pode ser lido como algo do tipo: "Minha sombra é uma projeção poética errônea". Terceira estrofe, não sou verdadeiro, guardo muitas cousas comigo - não sei por que, mas quero colocar a expressão em inglês por que a sonoridade dela é mais metaforica nesse caso, metaforica e metalinguistica: keep things with me; talvez seja pelo verbo "keep", ele tem um som mais travado, sei lá! Quarta estrofe é um exemplo de algo que chamo de "ataque de pelanca". O drama queen em pessoa rodou a baiana e disse que ele é falso - vez mais - e que na verdade é uma pessoa triste. Guilherme, por favor, já não chegamos a conclusão que somos todos tristes? Citarei Vinicius, por que ele é o melhor e caso encerrado para a quarta estrofe:

Dialética 
É claro que a vida é boa E a alegria, a única indizível emoção É claro que te acho linda Em ti bendigo o amor das coisas simples É claro que te amo E tenho tudo para ser feliz 
Mas acontece que eu sou triste...
Quinta estrofe: o drama queen descobre que está errado - surpresa! - e diz que sendo assim machuca a todos. Nada de novo. Sexta estrofe é um sussurro, e eu gosto de sussurros. " e a mim, como machuco a mim...". Nasceste criança para sofrer por teus amigos e amores. Nasceste para ser amigo e amante. Nasceste pronto para viver chorando e morrer no caos. Enfim, nasceste! Ou seja, é como qualquer outro. Não há "If you want to be hero just follow me". Estamos todos perdidos! Sussurrando ou esperneando, estamos todos perdidos!
A ultima estrofe é onde eu queria chegar. Sejam fieis! Cobrem de mim intimidade e necessidade, por que eu cobro de vocês as mesmas cousas! Sejam amigos, afinal.
Cansei...
"Sem mais!"

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